Alguém aí se lembra daquela época nos anos 90 em que era mania os jogos de personagens digitalizados, interpretados por atores de verdade? A maioria imitava Mortal Kombat que estava no auge do sucesso, eu lembro de Survival Arts, uma imitação até boa, em que quando um personagem batia num sujeito, apareciam armas no cenário, e pra velha guarda mesmo, tinha o inesquecível Pit Fighter também, embora a jogabilidade fosse diferente.
Mas, algumas versões pretensas a competir com Mortal Kombat não foram tão felizes, uma delas foi o jogo chamado Tattoo Assassins (Assassinos Tatuados) de 1994, onde rolava a história sobre lutas de personagens com tatuagens mágicas que lhes davam super poderes.
Sinopse:
Tudo começa quando Mullah Abba, o líder da Ordem das Cores, descobre a tinta mágica de Guize, e que quando aplicada em seres humanos, na forma de tatuagens, ela concedia poderes mágicos ao usuário. Um dos hospedeiros, Koldan, rouba a tinta mágica para se tornar o mais poderoso deles, nisso, Mullah Abba seleciona 9 hospedeiros que recebem a tinta mágica em forma de tatuagem, para enfrentar Koldan, tornando-se os Assassinos Tatuados. Mas Koldan consegue possuir todos os hospedeiros e usá-los para conseguir mais tinta, felizmente, surge Lyla Blue, que possui a tatuagem com o poder de fazer qualquer mortal (no caso, o próprio jogador) possuir o corpo de um dos assassinos tatuados, e assim começa a luta.
A história é relativamente legal e bem criativa aliás, mas... o game não foi tão bom assim. O principal motivo parece ter sido (segundo rumores, alguns dos próprios criadores) a inexperiência dos programadores em fazer jogos como esse e o prazo curto para criação e lançamento, embora a empresa já tenha feito jogos bons e que chegaram a ser famosos, como Captain America and the Avengers, lançado para Arcade e depois para Mega Drive. Tattoo Assassins teve uma péssima animação gráfica e alguns problemas nas animações, o chefe final por exemplo, para uma maior dificuldade, foi programado para ser mais rápido do que os outros jogadores, o problema é que quando ele era derrotado, a queda dele era igualmente rápida. Mas os erros gráficos e de programação nem foram o principal motivo da não aceitação pública desse jogo (embora somente um protótipo tenha sido lançado), o maior problema foi realmente.. o próprio jogo.

Sendo uma imitação de Mortal Kombat, o jogo tinha seus próprios Fatalities, cabeças rolando, corpos cortados, etc. foi prometido que o jogo teria mais de cem Fatalities, infelizmente, muitos saíram muito esquisitos e bem parecidos em cada personagem, um deles era onde os personagens baixavam as calças e aparecia um peru assado que nocauteava o oponente (?). Também tinham os Babalities, que tentaram ser mais engraçados que os Babalities de Mortal Kombat 2 (que era o atual da época), daí os personagens transformavam os outros em objetos estranhos, como um quadro da Mona Lisa ou um cachorro quente, um sanduíche (com um desenho muito mal feito aliás), também tinham os Nudalities (isso mesmo), onde o inimigo tirava a roupa do outro, fora isso, os Fatalities normais também tentavam ser engraçados, com peidos flamejantes, peidos venenosos, etc.
Fora isso, o figurino dos personagens foram considerados muito ruins, Mullah Abba por exemplo, era um senhor usando fraudas, literalmente, haviam dois índios no meio dos lutadores e muito estereotipados fora as tatuagens tinham cores muito berrantes, além de ter poucos detalhes, e os quadros de animação curtos não ajudavam muito também.

O incrível é que o jogo tinha tudo pra dar certo e ser ainda mais famoso que Mortal Kombat, seu roteiro foi produzido por Bob Gale, o mesmo roteirista de De Volta Para o Futuro, ao que parece, Tattoo Asassins veio de um esboço de roteiro de um futuro filme de Gale, que foi transformado em jogo quando ele apresentou o esboço para o presidente da Data East, segundo a revista Older Games, os dois eram amigos e uma coisa levou a outra, um dos Faltalities do jogo, aliás, era o carro Delorian, do filme De Volta Para o Futuro, atropelando o adversário. A atriz que interpretava Lyla Blue era a mulher do guitarrista Slash do Guns and Roses. Dois dos produtores de Mortal Kombat, Carlos e Daniel Pesina, que trabalharam na Midway (produtora de Mortal Kombat), fizeram parte da produção de Tattoo Assassins, segundo a Wikipédia, em vista disso, Jhonny Cage, (produzido por Daniel Pesina) e Rayden (Carlos Pesina) foram excluídos de Mortal Kombat 3.

Em fim, uma série de fatores fizeram com que Tattoo Assassins fosse um jogo falho antes mesmo de ser lançado, dentre vários atrasos na entrega, só um protótipo foi lançado, fora boatos de que existem duas máquinas com a versão final do jogo.
É isso aí pessoal, até semana que vem com mais uma matéria estranha pra vocês.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tattoo_Assassins
Revista Older Gmes